Texto Áureo
“Eu fiz a terra, o homem, e os animais que estão sobre a face da terra, com o meu grande poder, e com o meu braço estendido, e a dou a quem é reto aos meus olhos.” (Jr 27.5)
Deus fez o mundo, continua sendo o dono dele e o entregou ao ser humano para usar e guardar, não para destruir. A lição mostra o que Gênesis 1.28 quer dizer com dominar, as leis em que Deus protegeu o ninho, o boi e a terra de plantio, e o que um adolescente pode fazer em casa, sem gastar nada, para honrar o Criador.
Leitura bíblica para 2027Leia a Bíblia inteira em 2027Quatro leituras por dia, no plano de McCheyneConheça a Bíblia McCheyne A torneira aberta enquanto você escova os dentes. O prato que vai quase inteiro para o lixo. O carregador que passa a noite na tomada sem celular nenhum.
Nada disso parece assunto de igreja. Parece aula de ciências, ou propaganda de campanha. E é bem aí que a Bíblia discorda de você.
Na lição passada, o assunto foi a igreja como lugar de todos os filhos de Deus. Hoje a conversa sai da porta da igreja e vai para o mundo que Deus fez: a água, a terra, as plantas, os bichos. E começa no fim do sexto dia da Criação, quando Deus entregou esse mundo nas mãos do ser humano:
"E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra" (Gn 1.28).
O texto áureo diz quem é o dono de tudo isso:
"Eu fiz a terra, o homem, e os animais que estão sobre a face da terra, com o meu grande poder, e com o meu braço estendido, e a dou a quem é reto aos meus olhos" (Jr 27.5).
A lição tem três paradas. Primeiro, quem é o Criador e o que quer dizer "dominar" a terra. Depois, a parte que surpreende: as leis bem concretas em que Deus protegeu o ninho, o boi e a terra de plantio, séculos antes de alguém falar em meio ambiente. Por fim, o que dá para fazer na prática, a partir de amanhã, sem gastar nada.
Três avisos antes de começar. Esta lição não é sobre partido nem sobre campanha: é sobre honrar Deus no trato com o que Ele fez. Também não é um debate de ciência contra Bíblia: o assunto aqui é quem é o dono do mundo e como cuidar dele. E não é culto à natureza: a gente cuida da obra porque adora o Autor.
I — Deus é o Criador
Tudo veio dEle
A Bíblia abre com a frase que sustenta todas as outras:
"No princípio criou Deus os céus e a terra" (Gn 1.1).
E o Novo Testamento mostra que essa obra tem um nome no centro:
"Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele" (Cl 1.16).
"Visíveis e invisíveis." As galáxias que o telescópio alcança e as que nenhum telescópio vai ver. O fundo do oceano que ninguém visitou. A molécula de água no copo da sua mesa. Tudo saiu da mão de Deus. E, no fim do sexto dia, Ele olhou o conjunto e deu o veredito: "E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom" (Gn 1.31).
אב No original — hebraico. O verbo de Gênesis 1.1 para "criar" é bará. O dicionário teológico citado pela revista define a Criação como ato exclusivo de Deus, pelo qual Ele chamou à existência tudo o que existe, sem precisar de matéria anterior: a Palavra dEle bastou. A Bíblia diz o mesmo de outro jeito: "Pela palavra do Senhor foram feitos os céus" (Sl 33.6). O ser humano fabrica, transforma, inventa. Criar do nada é coisa só de Deus. Por isso só Ele leva o título de Criador.
O Deus que faz perguntas a Jó
Se você quer ver o tamanho do Criador, leia Jó 38 e 39. Jó tinha sofrido muito e queria respostas. Deus aparece e, em vez de responder, faz perguntas:
"Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência" (Jó 38.4).
E segue: quem determinou as medidas da terra (Jó 38.5)? Quem pôs limite ao mar e disse a ele "Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se parará o orgulho das tuas ondas" (Jó 38.11)? Onde mora a luz? Quem abriu caminho para a chuva? Conheces as leis dos céus (Jó 38.19,25,33)? Depois Deus passa aos animais, um por um, e pergunta quem ensinou o instinto de cada um (Jó 39).
O efeito dessa lista é o mesmo em qualquer época: a pessoa entende que não é ela quem segura o mundo.
E o Criador não fez tudo e foi embora. Ele "conta o número das estrelas, chama-as a todas pelos seus nomes" (Sl 147.4). Ele "faz crescer a erva para o gado, e a verdura para o serviço do homem, para fazer sair da terra o pão" (Sl 104.14). Jesus disse que Deus ainda hoje "veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno" (Mt 6.30). O salmista olhou para isso tudo e não conseguiu ficar calado:
"Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas" (Sl 104.24).
Do Senhor é a terra
Se Deus fez tudo, então tudo é dEle:
"Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam" (Sl 24.1).
A terra não é nossa. Nunca foi. Mas o Dono fez uma coisa surpreendente: entregou o cuidado dela a nós. "Os céus são os céus do Senhor; mas a terra a deu aos filhos dos homens" (Sl 115.16). Deu as plantas para alimento (Gn 1.29). Pôs o homem no jardim com uma tarefa de dois verbos:
"E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar" (Gn 2.15).
Lavrar é trabalhar, plantar, tirar da terra o sustento. Guardar é proteger, não deixar estragar. Quase todo mundo lembra do primeiro verbo. O segundo é o que mais se esquece. E Deus ainda trouxe os animais a Adão "para este ver como lhes chamaria" (Gn 2.19). Dar nome é conhecer, prestar atenção, cuidar.
A palavra que a igreja usa para isso é mordomia. Mordomo é quem administra bens que não são dele. José foi mordomo na casa de Potifar: cuidava de tudo, mas nada ali era dele. Jesus contou a história de um mordomo que ouviu do patrão: "Dá contas da tua mordomia" (Lc 16.2). É isso. Deus entregou, mas não vendeu. E um dia pergunta o que foi feito com o que Ele confiou.
O que quer dizer "dominar"
Agora volte a Gênesis 1.28: "sujeitai-a; e dominai". Muita gente leu esse versículo a vida inteira como licença para fazer o que quiser com o planeta. Afinal, Deus mandou dominar. Será?
O auxílio teológico da revista traz uma explicação do comentarista Victor Hamilton que ajuda muito. O verbo "dominar" aparece 24 vezes no Antigo Testamento e quase sempre fala de relações entre pessoas: um rei e os seus súditos, um chefe e os seus trabalhadores, um senhor e o seu servo. E várias dessas passagens, como Levítico 25.43 e Ezequiel 34.4, mostram que esse domínio deve ser exercido com cuidado e responsabilidade, sem destruir nem explorar.
Ou seja: dominar, na Bíblia, é o que um rei justo faz. Governa cuidando de quem está debaixo da mão dele. O rei que arrasa o próprio reino não é um bom rei. É um tirano.
Daí sai a frase que segura a aula inteira: usar não é destruir. Plantar, colher, comer, construir, usar a água, a madeira e o alimento, tudo isso é ordem de Deus (Gn 1.29; 9.3). Mas em lugar nenhum da Bíblia o ser humano recebeu permissão do Criador para destruir a obra dEle. Recebeu autoridade para tirar dela o sustento, com responsabilidade.
🕊 A nossa leitura — imagem de Deus e encargo. Gênesis 1.27 diz que Deus criou o ser humano "à sua imagem". Antes de dar qualquer tarefa, Deus deu valor: toda pessoa carrega a imagem do Criador. E, logo em seguida, deu um encargo: governar o mundo do jeito que Ele governa, com sabedoria e cuidado. Uma coisa não anda sem a outra. Cuidar da natureza sem lembrar que o ser humano é imagem de Deus vira só biologia. Falar de imagem de Deus sem cuidar do que Ele confiou vira só discurso.
O texto áureo no lugar certo
Jeremias 27.5 não foi escrito num cartão-postal de paisagem. Foi dito num momento duro da história de Judá.
🏛 Curiosidade — o jugo de madeira. Em Jeremias 27, Deus mandou o profeta fazer jugos, a peça de madeira que se põe no pescoço dos bois, e colocá-los no próprio pescoço (Jr 27.2). Era uma mensagem viva: os reinos da região iam ficar debaixo do rei de Babilônia. E o motivo que Deus dá é o versículo 5: Ele fez a terra, o homem e os animais, e dá a terra "a quem é reto aos meus olhos". O mesmo Deus que fez as florestas governa os reis e as nações. Ele é dono do mapa inteiro, e não só da paisagem.
Isso protege a gente de dois erros. Um é achar que cuidar da criação é coisa pequena, sem relação com Deus. O outro é transformar o cuidado com a natureza numa causa que caminha sozinha, sem o Criador no centro. O texto áureo coloca tudo no lugar: o mundo tem Dono, e esse Dono é poderoso, soberano e bom.
II — Cuidar da Natureza é um Princípio Bíblico
Muita gente acha que cuidar da natureza é pauta recente, coisa que entrou na igreja vinda de fora. A Bíblia mostra o contrário. Bem antes de existir a palavra "ecologia", Deus já tinha deixado na sua Palavra gestos e leis de cuidado com a Criação.
Um bosque que Abraão não ia aproveitar
"E plantou um bosque em Berseba, e invocou lá o nome do Senhor, Deus eterno" (Gn 21.33).
Abraão já era idoso. Árvore demora para crescer. Muito provavelmente ele não ia sentar à sombra daquele bosque. Mas a geração seguinte ia. Ele plantou pensando em quem vinha depois. E repare: o bosque ficou ligado à adoração. Ali ele invocou o nome do Senhor.
🏛 Curiosidade — Berseba. Berseba ficava no sul de Canaã, numa região seca, já perto do deserto. Plantar árvore ali dava trabalho e pedia paciência. Hoje se sabe que árvores protegem o solo da erosão na chuva, ajudam a segurar a temperatura nos dias quentes e melhoram o ar. Abraão não tinha esses estudos, mas tinha o gesto certo: cuidar da terra que Deus prometera à sua descendência.
O ninho no caminho
"Quando encontrares pelo caminho um ninho de ave numa árvore, ou no chão, com passarinhos, ou ovos, e a mãe posta sobre os passarinhos, ou sobre os ovos, não tomarás a mãe com os filhotes; deixarás ir livremente a mãe, e os filhotes tomarás para ti; para que te vá bem e para que prolongues os teus dias" (Dt 22.6,7).
Repare na inteligência dessa lei. O israelita podia levar os filhotes ou os ovos: era alimento, e Deus não proibiu. Mas tinha de soltar a mãe. Sem a mãe, aquele ninho acaba ali. Com a mãe viva, ela faz outro ninho no ano seguinte. É uma lei de preservação, escrita há mais de três mil anos, que ensina exatamente a frase desta lição: usar, sem destruir.
Até o boi descansa
O quarto mandamento manda guardar o sábado. Mas leia a lista inteira de quem descansa:
"Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhum trabalho nele, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro que está dentro de tuas portas; para que o teu servo e a tua serva descansem como tu" (Dt 5.14).
O boi e o jumento estão no mesmo versículo que a família. Dentro dos Dez Mandamentos, o animal de trabalho tinha direito garantido a um dia de descanso por semana. Deus se importa com o bicho que carrega peso. O livro de Provérbios resume: "O justo tem consideração pela vida dos seus animais, mas as afeições dos ímpios são cruéis" (Pv 12.10). O jeito de alguém tratar um animal diz alguma coisa sobre o coração dele.
Um ano de folga para a terra
"Porém ao sétimo ano haverá sábado de descanso para a terra, um sábado ao Senhor; não semearás o teu campo nem podarás a tua vinha" (Lv 25.4).
Seis anos plantando, um ano parado. A terra também tinha o seu sábado. Quem trabalha com agricultura sabe que solo plantado sem parar se desgasta e perde a força. Deus já tinha previsto o descanso. E o mais bonito: o povo precisava confiar que Deus daria comida suficiente para atravessar aquele ano sem plantio (Lv 25.20-22). Cuidar da terra era também um ato de fé.
Limpeza como reverência
A Lei organizava até a higiene do acampamento de Israel. Os dejetos tinham de ser enterrados fora do arraial (Dt 23.12,13), o que hoje a gente chama de saneamento básico. Mas o motivo que o texto dá não é só saúde:
"Porquanto o Senhor teu Deus anda no meio de teu arraial, para te livrar, e entregar a ti os teus inimigos; pelo que o teu arraial será santo, para que ele não veja coisa feia em ti, e se aparte de ti" (Dt 23.14).
O lugar era limpo porque Deus andava ali. A limpeza fazia parte da reverência.
A Criação fala e espera
Por que Deus se importa tanto? Primeiro, porque a Criação fala dEle:
"Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos" (Sl 19.1).
O céu de noite, o mar, um passarinho no muro: tudo isso é testemunha do Criador, sem precisar de palavra (Sl 19.2-4). Quando alguém estraga um pedaço da Criação por descuido ou ganância, apaga junto um pedaço do que testemunha sobre Deus.
Segundo, porque a Criação faz parte do plano de redenção. Desde a queda, ela sofre junto com a humanidade e espera:
"Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. [...] Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora" (Rm 8.19,21,22).
A Criação não é descartável. Deus tem planos para ela.
🕊 A nossa leitura — a natureza não é deusa. Cuidar da Criação não é adorar a Criação. A Bíblia condena justamente os que "honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente" (Rm 1.25). A terra não é "mãe", o sol não é divino, as árvores não têm espírito para receber oferta. Tudo isso é obra, e obra não ocupa o lugar do Autor. E o contrário também é erro: tratar a natureza como lixo porque "é só matéria". O cristão fica no meio, firme: adora o Criador e cuida da obra dEle.
III — Como Podemos Colaborar?
Os números do desperdício
A revista traz dois números que ajudam a enxergar o tamanho da coisa. O Brasil produz cerca de 79 milhões de toneladas de lixo por ano, o que dá em média 379 quilos por pessoa, todo ano. E, de toda a água do planeta, só uns 3% são doces, e mais da metade disso está congelada em geleiras. A água que dá para beber é uma fatia pequena de uma fatia pequena.
A revista também lembra que estudos apontam três grandes riscos do descuido com a natureza: mudanças climáticas extremas, mais desastres naturais e a perda de espécies de plantas e animais. Você vai ouvir falar disso na escola e na internet, às vezes com muita briga junto. Para o cristão, a leitura é mais simples e mais séria: é estrago numa obra que Deus confiou ao ser humano. Não precisa escolher lado político para levar isso a sério, e não precisa debochar de ninguém.
A esperança que não vira desculpa
Tem um raciocínio que aparece muito entre crentes: "Este mundo vai acabar mesmo. A minha cidade é o céu. Então tanto faz." A primeira parte é verdade:
"Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo" (Fp 3.20).
"Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura" (Hb 13.14). Aguardamos a volta de Jesus (1 Ts 4.16,17) e "novos céus e nova terra, em que habita a justiça" (2 Pe 3.13). Essa é a nossa esperança.
Mas repare: em nenhum lugar a Bíblia transforma essa esperança em desculpa para descuidar do que está aqui. Pense numa casa que você recebeu emprestada até o dono voltar. Saber que ele vai voltar não é motivo para quebrar tudo. É o motivo para cuidar melhor. "Requer-se dos mordomos que cada um se ache fiel" (1 Co 4.2). Enquanto o dia não chega, a gente vive aqui, e viver aqui como cristão inclui a torneira, o prato e a lixeira.
O que dá para fazer
Nada da lista abaixo custa dinheiro. Tudo cabe na rotina de um adolescente, dentro de casa, na escola e na igreja.
- Lixo no lugar certo. Nunca no chão, nem na rua, nem no pátio da escola. Se a sua casa ou a sua escola separa o reciclável, separe também.
- Água. Feche a torneira enquanto escova os dentes ou ensaboa a louça. Banho com tempo, e não banho sem fim.
- Energia. Apague a luz ao sair do quarto. Desligue a TV que ninguém está vendo. Tire da tomada o carregador sem celular.
- Comida. Ponha no prato o que você vai comer; se quiser mais, volte. Agradeça a Deus pelo alimento. Muita gente no mundo não tem o que você deixa no prato.
- Plantas e animais. Regue as plantas de casa. Cuide do seu animal de estimação: água limpa, comida, carinho. Trate bem os bichos que encontrar.
- Os lugares onde você vive. Deixe limpo o seu quarto, a sala de aula e a sala da EBD depois de usar.
- Consumo. Antes de pedir algo novo, pergunte se precisa mesmo. E siga a ordem certa: primeiro reduzir (consumir menos), depois reutilizar (dar outro uso ao que já existe) e só então reciclar. Reciclar é a última etapa, e não a primeira.
Dois cuidados. Tudo isso é combinado com os adultos da sua casa: você cuida das suas coisas e ajuda, mas não vira fiscal de ninguém, e muito menos briga com os seus pais por causa de uma lâmpada acesa. E nada de mexer sozinho em fiação, produto químico, lixo cortante ou animal de rua desconhecido: isso é com adulto. Cuidar da Criação começa pelo que está na sua mão.
❤ Para a sua vida. Pequenas atitudes não parecem grande coisa. Mas o mordomo não é medido pelo tamanho do que recebeu, e sim pela fidelidade. Jesus disse que quem é fiel no pouco também é fiel no muito (Lc 16.10). A torneira do banheiro é pouco. É justamente por isso que ela mostra quem você é quando ninguém está olhando.
Cristo na lição
Volte a Colossenses 1.16: "Tudo foi criado por ele e para ele." O "ele" ali é Jesus. João diz o mesmo: "Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez" (Jo 1.3). E Ele não só criou: "todas as coisas subsistem por ele" (Cl 1.17). Neste minuto, é Jesus quem está "sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder" (Hb 1.3).
Agora pense no que esse Criador fez quando veio ao mundo que Ele mesmo tinha feito. Andou pelos campos, olhou os lírios e as aves e ensinou com eles (Mt 6.26-30). Acalmou o mar que Ele mesmo tinha limitado. Multiplicou pães e peixes para uma multidão com fome. E, quando todos estavam satisfeitos, deu uma ordem que pouca gente repara:
"E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca" (Jo 6.12).
O Senhor que podia multiplicar pão sem limite não deixou o pão sobrar no chão. Nada se perde. É o Criador ensinando mordomia com a própria mão.
Mas o pecado estragou tudo: a nossa relação com Deus, com as pessoas e até com a Criação, que desde então "geme" (Rm 8.22). E foi por isso que Jesus foi à cruz. Ele morreu pelos nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia, e por meio dEle Deus vai reconciliar "consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus", tendo feito a paz "pelo sangue da sua cruz" (Cl 1.20).
Repare na ordem. Primeiro a cruz, depois o resto. Ninguém salva o planeta com reciclagem, e ninguém se salva cuidando de planta. A salvação é pela graça, por meio da fé em Jesus. Mas quem foi alcançado por essa graça passa a olhar o mundo como o Filho olha: como obra do Pai, que não se despreza e não se adora, e sim se guarda.
✝ Cristo na lição. O céu inteiro canta para Ele: "Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas" (Ap 4.11). Se você ainda não conhece pessoalmente o Criador que morreu por você, hoje é um bom dia para se entregar a Ele. E se você já é dEle, honre o seu Senhor na coisa mais simples desta semana: no prato, na torneira, no jeito de tratar o que Ele fez.
Aplicação Prática
Troque "isso é meu" por "isso é dEle". Antes de jogar comida fora, deixar a água correndo ou destruir alguma coisa sem pensar, lembre: "Do Senhor é a terra e a sua plenitude" (Sl 24.1). Você está cuidando de algo que tem Dono.
Use sem destruir. Você pode e deve usar o que Deus deu: comer, plantar, construir, aproveitar. O que não pode é desperdiçar e estragar à toa. Na dúvida, faça a pergunta da lição: "isso é usar ou é destruir?"
Ouça com respeito, e traga a dúvida para casa. Na escola você vai ouvir explicações sobre a origem do mundo e sobre o meio ambiente que nem sempre combinam com o que você aprende na igreja. Não precisa brigar com o professor nem com o colega. Ouça com educação, estude, e leve a pergunta para os seus pais, para o seu professor da EBD e para o seu pastor. "Examinai tudo. Retende o bem" (1 Ts 5.21).
Não adore, e não despreze. Nem "mãe natureza", nem "tanto faz, vai tudo queimar". O cristão adora o Criador e guarda a obra dEle.
Escolha uma coisa só e cuide dela a semana inteira. É a missão desta semana.
Oração Final
Senhor Deus, Criador do céu e da terra, obrigado pelo mundo que Tu fizeste com sabedoria: pela água, pelo pão, pelas árvores, pelos animais e pelo céu que conta a Tua glória. Tudo é Teu, e Tu nos confiaste o cuidado. Perdoa-nos pelo desperdício sem pensar, pela comida jogada fora e pelo descuido com o que é Teu. Senhor Jesus, por Ti e para Ti todas as coisas foram criadas; Tu morreste na cruz e ressuscitaste, e por Ti o Pai vai reconciliar consigo todas as coisas. Ensina-nos a Te adorar acima de tudo e a guardar a obra das Tuas mãos. Dá-nos fidelidade no pouco, na torneira, no prato e na tomada, até o dia em que Tu fizeres novas todas as coisas. Em nome de Jesus, amém.
Soli Deo Gloria — a Escritura governa; todo o resto, de joelho.
Perguntas Frequentes
O que significa dominar a terra em Gênesis 1.28?+
Significa governar com cuidado, e não explorar até acabar. Deus disse: 'enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus' (Gn 1.28). O verbo 'dominar', no Antigo Testamento, é usado para o governo de um rei sobre o seu povo, e a própria Lei mostra que esse governo deve ser exercido com responsabilidade. Logo depois, Deus pôs o homem no jardim 'para o lavrar e o guardar' (Gn 2.15). Usar é ordem de Deus; destruir nunca foi.
O que é mordomia da criação?+
Mordomo é quem cuida de bens que não são dele e um dia presta contas ao dono. A Bíblia diz: 'Do Senhor é a terra e a sua plenitude' (Sl 24.1), e também que 'a terra a deu aos filhos dos homens' (Sl 115.16). Deus continua dono e nos entregou o cuidado. Por isso Paulo escreve: 'requer-se dos mordomos que cada um se ache fiel' (1 Co 4.2).
Cuidar da natureza é a mesma coisa que adorar a natureza?+
Não. A Bíblia condena os que 'honraram e serviram mais a criatura do que o Criador' (Rm 1.25). A natureza não é deusa, não é 'mãe' e não recebe culto. Ela é obra de Deus e fala dEle: 'Os céus declaram a glória de Deus' (Sl 19.1). O cristão cuida da obra porque adora o Autor.
Se este mundo vai passar, por que um cristão deve cuidar dele?+
Porque a esperança do céu não cancela a responsabilidade de hoje. 'A nossa cidade está nos céus' (Fp 3.20), e aguardamos 'novos céus e nova terra' (2 Pe 3.13). Mas, enquanto isso, somos mordomos do que Deus entregou, e o mordomo presta contas (Lc 16.2). Quem vai devolver a chave ao dono não depreda a casa.
O que a Lei de Moisés dizia sobre os animais e a terra?+
Muita coisa. Quem achasse um ninho podia levar os filhotes, mas tinha de deixar a mãe ir (Dt 22.6,7). No sábado descansavam as pessoas, o boi, o jumento e 'animal algum teu' (Dt 5.14). A cada sete anos a terra de plantio ganhava 'sábado de descanso para a terra, um sábado ao Senhor' (Lv 25.4). E o arraial tinha de ser mantido limpo, porque o Senhor andava no meio dele (Dt 23.14).
O que um adolescente pode fazer para cuidar da criação?+
Coisas simples, em casa e sem gastar nada: fechar a torneira enquanto escova os dentes, pôr no prato só o que vai comer, apagar a luz e tirar da tomada o que não está em uso, jogar o lixo no lugar certo, cuidar das plantas e dos animais da casa. E, na hora de consumir, seguir a ordem: primeiro reduzir, depois reutilizar e só então reciclar. Tudo isso combinado com os adultos da casa.
Guia do Professor
Essência da aula
O mundo tem Dono: Deus criou tudo e nos entregou a Criação para usar e guardar, e não para destruir, e quem adora o Criador honra a obra dEle.
Mapa da aula
| Tempo | Etapa |
|---|---|
| 0–5 min | Abertura — a torneira, o prato e o carregador |
| 5–15 min | Ponto 1 — Deus é o Criador, e o que é "dominar" |
| 15–24 min | Ponto 2 — O bosque, o ninho, o boi e a terra |
| 24–31 min | Dinâmica — Usar ou destruir? |
| 31–39 min | Ponto 3 — Como colaborar, sem militância e sem desculpa |
| 39–45 min | Amarração + desafio da semana + oração |
Comece assim
Diga, sem pressa: "Três cenas. A torneira aberta enquanto alguém escova os dentes. O prato que vai quase inteiro para o lixo. O carregador que passa a noite na tomada, sem celular nenhum." Pausa. "Levanta a mão quem acha que isso é assunto de igreja."
Provavelmente pouca gente levanta, ou alguém ri. Tudo bem. Pergunte: "Então é assunto de quê?" Devem aparecer respostas como "de ciências", "de economia de conta de luz", "de quem gosta de natureza", "de política". Escreva duas ou três no quadro. Depois diga: "Hoje a Bíblia vai discordar de vocês. Vamos ver de quem é a água, a comida e a energia, e o que Deus disse sobre elas."
Não peça a ninguém que conte o que desperdiça em casa. A pergunta é sobre as cenas, não sobre a família de alguém.
Ponto 1 — Deus é o Criador, e o que é "dominar"
- Na revista: "Ponto de Partida", "Vamos Descobrir", a Leitura Bíblica de Gênesis 1.27-31 e o tópico I, "Deus é o Criador", com o auxílio teológico (os verbetes Criação e Criador e a explicação de Hamilton sobre "sujeitar" e "dominar").
- O que ensinar: Deus criou tudo, o visível e o invisível (Gn 1.1; Cl 1.16), e continua sustentando a Criação (Sl 104.14; Mt 6.30). Tudo é dEle (Sl 24.1), e Ele entregou o cuidado ao ser humano (Sl 115.16; Gn 2.15). "Dominar", em Gênesis 1.28, é governar como um rei justo, com cuidado e responsabilidade. A frase da aula: usar não é destruir.
- Versículo-âncora (ACF): "E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar" (Gn 2.15).
- Pergunta-chave: "Se Deus mandou 'dominar' a terra, por que não dá para fazer o que quiser com ela?"
- Respostas prováveis (+ aprofundamento): "porque a terra é de Deus", "porque vai acabar se ninguém cuidar", "porque dominar não é destruir". Aprofunde: "Qual é a diferença entre um rei que governa o povo e um rei que arrasa o povo?" E depois: "Gênesis 2.15 tem dois verbos. Qual dos dois a gente mais esquece?"
- Se ninguém falar: mostre um chaveiro e diga: "Esta chave é minha? Ou é de quem me emprestou a casa?" Conte a história do mordomo (Lc 16.2) em três frases e pergunte: "O que o dono vai perguntar quando voltar?"
- Cuidado nesta parte: o auxílio pedagógico sugere mostrar imagens de natureza e também de queimadas e poluição. Se usar, escolha imagens de paisagem e de lixo acumulado, e evite foto de animal ferido ou de desastre com vítimas: a aula convence por responsabilidade, e não por choque. Se alguém na sala tiver passado por enchente ou deslizamento, não peça o relato.
- Gênesis 1.27, sem desvio: a leitura começa com "homem e mulher os criou". O foco desta lição é o valor de quem carrega a imagem de Deus e o encargo de cuidar do mundo. Se alguém puxar outro debate, responda em uma frase ("o texto diz o que Deus fez e por que nos fez") e volte ao assunto.
Ponto 2 — O bosque, o ninho, o boi e a terra
- Na revista: tópico II, "Cuidar da natureza é um princípio bíblico", com o auxílio pedagógico sobre o tamanho do sol e o Salmo 19.1.
- O que ensinar: cuidar da Criação não é pauta moderna. Abraão plantou um bosque que provavelmente não ia aproveitar (Gn 21.33). A Lei mandava soltar a mãe do ninho (Dt 22.6,7), dava descanso ao boi e ao jumento no sábado (Dt 5.14) e à terra no sétimo ano (Lv 25.4), e cuidava da limpeza do arraial porque o Senhor andava no meio dele (Dt 23.14). A Criação testemunha de Deus (Sl 19.1) e espera a redenção (Rm 8.19-22). Feche com a trava: cuidar não é adorar (Rm 1.25).
- Versículo-âncora (ACF): "Deixarás ir livremente a mãe, e os filhotes tomarás para ti; para que te vá bem e para que prolongues os teus dias" (Dt 22.7).
- Pergunta-chave: "Por que Deus colocaria uma lei sobre ninho de passarinho no meio das leis do povo dEle?"
- Respostas prováveis (+ aprofundamento): "para os passarinhos não acabarem", "porque Ele se importa com os animais", "para ensinar a não ser ganancioso". Aprofunde: "O que a lei do ninho deixa fazer e o que ela proíbe?" (Deixa usar, proíbe acabar com a fonte. Usar não é destruir.)
- Se ninguém falar: leia Deuteronômio 5.14 devagar e peça que a turma conte, nos dedos, quem descansa no sábado. Quando chegarem no boi e no jumento, pergunte: "O que esse versículo diz sobre o coração de Deus?"
- Se usar o auxílio do sol: a revista sugere mostrar o tamanho do sol (cerca de 149,6 milhões de quilômetros da Terra, e mais de um milhão de Terras caberiam dentro dele) e ler "Pela palavra do Senhor foram feitos os céus" (Sl 33.6). Use em um minuto, como ponte para o Salmo 19, e não vire aula de astronomia.
- Cuidado nesta parte: a natureza nunca é divinizada. Se aparecer "mãe terra", "energia da natureza" ou algo parecido, não ridicularize quem falou; explique com calma que a Bíblia chama tudo isso de obra, e que só o Criador recebe adoração.
Ponto 3 — Como colaborar, sem militância e sem desculpa
- Na revista: tópico III, "Como podemos colaborar?", com a lista de atitudes, o auxílio didático sobre a água, a Conclusão, o "Vamos Praticar" e o "Pense Nisso".
- O que ensinar: os números da revista mostram o tamanho do desperdício. A esperança do céu é certa (Fp 3.20; Hb 13.14), mas não autoriza descuidar daqui: o mordomo presta contas e precisa ser fiel (1 Co 4.2). A lista prática cabe na rotina do adolescente: lixo, água, energia, comida, plantas e animais, limpeza, consumo. E a ordem certa é reduzir, reutilizar e só então reciclar.
- Versículo-âncora (ACF): "Além disso, requer-se dos mordomos que cada um se ache fiel" (1 Co 4.2).
- Pergunta-chave: "Se este mundo vai passar, por que um cristão deveria se preocupar com a torneira do banheiro?"
- Respostas prováveis (+ aprofundamento): "porque não é nosso", "porque Deus vai cobrar", "porque outras pessoas precisam da água". Aprofunde: "Se você estivesse morando numa casa emprestada até o dono voltar, saber que ele volta faria você cuidar mais ou menos?"
- Se ninguém falar: leia o auxílio da água (cerca de 3 dias sem beber, contra semanas sem comer) e pergunte só: "Qual destas atitudes da lista é a mais fácil de esquecer na correria?"
- Cuidado nesta parte: o assunto toca em clima e meio ambiente, que muita gente discute com bandeira de partido. Aqui não entra nem militância, nem deboche de quem pensa diferente. O eixo é um só: honrar o Criador no trato com o que Ele fez. E não deixe a aula virar fiscalização das famílias: ninguém conta quanto o pai gasta de luz nem quem deixa a torneira aberta em casa. Lembre que nem todo aluno tem as mesmas condições: há casas sem coleta seletiva, sem quintal e sem dinheiro sobrando para escolher o que consumir. Nenhuma atitude da lista depende disso.
- Atenção ao texto: a revista cita alguns versículos em linguagem de hoje. Salmos 24.1, que aparece também no "Vamos Praticar", na ACF é: "Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam". Filipenses 3.20, que a revista traz como "nossa pátria é o Céu", na ACF é: "a nossa cidade está nos céus". O sentido é o mesmo. No "Vamos Praticar", deixe os alunos completarem pela revista, e leia a ACF depois.
Dinâmica
- Objetivo: treinar o olho para a distinção da aula, usar não é destruir, com situações do dia a dia e com as próprias leis da Bíblia.
- Materiais: oito tiras de papel escritas antes da aula, fita adesiva ou durex, quadro e pincel. Nas tiras: (1) "Levar os filhotes do ninho e soltar a mãe." (2) "Levar a mãe e os filhotes de uma vez." (3) "Cortar uma árvore para fazer uma mesa e plantar outra no lugar." (4) "Pôr no prato o dobro do que vai comer e jogar o resto fora." (5) "Pescar para comer." (6) "Jogar óleo de cozinha usado no ralo da pia." (7) "Plantar uma muda que você talvez nunca veja crescida." (8) "Lavar o pote de sorvete e usar para guardar comida."
- Passo a passo: (1) Divida o quadro em duas colunas: "Usar" e "Destruir". (2) Forme trios e entregue duas ou três tiras para cada trio. Todos participam; ninguém é escolhido para ir à frente sozinho. (3) Cada trio conversa um minuto e decide em que coluna colar cada tira. Um integrante, quem o trio quiser, vai ao quadro e cola as tiras do grupo. (4) Com tudo colado, leia as tiras em voz alta você mesmo e pergunte à turma se concorda. Onde houver discordância, deixe dois ou três falarem. (5) Mostre que duas tiras são da própria Bíblia: a 1 e a 2 são Deuteronômio 22.6,7, e a 7 é o bosque de Abraão (Gn 21.33). (6) Escreva, bem grande, acima das colunas: "para o lavrar e o guardar" (Gn 2.15).
- Amarração (volta ao texto): "Repare que a coluna 'Usar' não está vazia. Deus não mandou ninguém deixar de comer, de pescar ou de fazer mesa. Ele mandou lavrar e guardar. O problema nunca foi usar. O problema é destruir o que tem Dono."
- Cuidado nesta dinâmica: as tiras falam de situações, nunca de pessoas. Ninguém conta o que se faz na própria casa, e ninguém é corrigido na frente dos outros por ter colado no lugar "errado": a discordância é a parte boa da dinâmica. Se a conversa escorregar para política, partido ou um nome de político, traga de volta para a pergunta da tira: "isso é usar ou é destruir?". E se algum aluno disser que comer carne ou pescar é pecado, não zombe: mostre com calma que Deus deu os animais como alimento (Gn 9.3) e que o justo cuida da vida dos seus animais (Pv 12.10). Uma coisa não anula a outra.
Se te perguntarem isso
- "Se o mundo vai acabar mesmo, por que eu tenho que me preocupar com ele?" Porque a esperança não cancela a responsabilidade. A nossa cidade está nos céus (Fp 3.20) e aguardamos novos céus e nova terra (2 Pe 3.13). Mas, até lá, somos mordomos, e o mordomo presta contas (Lc 16.2). Quem sabe que o dono da casa vai voltar cuida melhor da casa, e não pior.
- "Isso não é assunto de político? Por que a igreja fala disso?" Porque a Bíblia falou disso primeiro, na Lei, nos Salmos e na boca de Jesus, muito antes de qualquer partido existir. O cristão não cuida da Criação por causa de um lado político, e também não despreza o assunto por causa do outro. Cuida porque o mundo é de Deus (Sl 24.1). A igreja não precisa de bandeira; precisa de mordomos fiéis.
- "O que eu, sozinho, mudo de verdade?" Você não foi chamado para salvar o planeta. Isso é com Deus, e Ele vai fazer novas todas as coisas. Você foi chamado para ser fiel com o que está na sua mão (1 Co 4.2). A torneira do seu banheiro, o seu prato e o seu lixo são pouco, e é no pouco que a fidelidade aparece (Lc 16.10).
- "Cuidar da natureza não é meio coisa de quem adora a natureza?" Não. Adorar a natureza é pecado: é servir "mais a criatura do que o Criador" (Rm 1.25). Cuidar da natureza é o contrário: é honrar o Criador tratando bem o que Ele fez. O cristão nunca chama a terra de mãe nem pede nada a uma árvore. Ele agradece a Deus e guarda a obra.
- "O meu professor de ciências explica a origem do mundo de outro jeito. E agora?" A Bíblia afirma sem rodeio que Deus criou todas as coisas (Gn 1.1) e que "os mundos pela palavra de Deus foram criados" (Hb 11.3). Esta lição não é sobre como nem quando, e sim sobre quem é o Dono e como cuidar do que é dEle. Na escola, ouça com respeito, estude e tire boa nota; não precisa brigar com o professor nem com o colega. Traga a dúvida para casa e para a igreja: converse com os seus pais, com o seu professor da EBD e com o seu pastor. E quando for falar da sua fé, fale "com mansidão e temor" (1 Pe 3.15).
Amarração + desafio da semana
- Amarração: "Começamos com a torneira, o prato e o carregador, e quase ninguém achava que isso era assunto de igreja. Vimos que o mundo tem Dono: Deus fez tudo e continua sustentando tudo. Vimos que dominar é governar com cuidado, e que a Lei protegeu o ninho, o boi e a terra. Usar não é destruir. E vimos que tudo foi criado por Jesus e para Jesus. O Criador veio ao mundo que fez, mandou recolher os pedaços para que nada se perdesse, morreu na cruz pelos nossos pecados e ressuscitou. É Ele quem vai reconciliar todas as coisas. A gente não adora a obra; adora o Autor, e por isso guarda o que Ele fez." Ore pela turma sem citar nomes: gratidão pela Criação, perdão pelo desperdício sem pensar, e fidelidade no pouco.
- Desafio: escolha uma coisa só, a torneira, o prato ou a tomada, e cuide dela todos os dias até o próximo domingo. Torneira: fechar enquanto escova os dentes. Prato: pôr só o que vai comer e não deixar sobra. Tomada: apagar a luz do seu quarto ao sair e tirar o carregador quando ele não estiver carregando nada. Conte a um adulto da sua casa qual foi a sua escolha e faça uma marquinha num papel, ou no celular, a cada dia em que cumprir. Sem fiscalizar ninguém da casa e sem post. Domingo, volte com a história.
- Cuidado ao cobrar: no domingo, pergunte quem fez e convide quem quiser a contar como foi: qual foi a escolha, em que dia foi mais difícil e o que percebeu. Ninguém mostra as marquinhas na frente da turma, e ninguém é comparado com ninguém. Quem falhou alguns dias também tem história: a pergunta é o que aprendeu. Faça você mesmo o desafio e conte o seu primeiro. E não aceite relato de "eu briguei com o meu irmão porque ele deixou a luz acesa": a missão é cuidar do que está na sua mão, não fiscalizar a família.
Kit do professor
- Antes: leia Gênesis 1 e 2, Jeremias 27, Jó 38 e 39, o Salmo 104, Deuteronômio 22.6,7, Levítico 25.1-7 e Romanos 8.18-23. Assista à vídeo-aula, quando estiver no ar. Escreva as oito tiras da dinâmica. Faça o desafio da semana antes de cobrar. Saiba a quem levar, no mesmo dia, qualquer coisa séria que um aluno contar.
- Leve: Bíblia ACF, quadro e pincel, as tiras e a fita adesiva, um chaveiro para o Ponto 1 e, se quiser, uma planta pequena ou uma garrafa de água para a mesa.
- Ore antes: por olhos que vejam o Criador por trás da Criação. Por sabedoria para falar de meio ambiente pela Bíblia, sem virar debate político e sem debate de ciência contra fé. Pelo aluno que vive numa casa com pouco, para que nada na aula o envergonhe. E para que a aula termine na cruz, e não em "salve o planeta".
- Atenção ao texto áureo: a revista traz Jeremias 27.5 numa redação de hoje e cortada: "Eu, com o meu grande poder e com a minha força, criei o mundo…". Nós usamos a ACF, com o versículo inteiro: "Eu fiz a terra, o homem, e os animais que estão sobre a face da terra, com o meu grande poder, e com o meu braço estendido, e a dou a quem é reto aos meus olhos." A ideia é a mesma: o poder criador de Deus. Mas o versículo completo mostra que Deus não só fez a terra; Ele a dá a quem quer. Vale ler o capítulo antes da aula: é a mensagem do jugo de madeira, e o mesmo Deus que fez o mundo governa as nações.
Lição de Casa
Sua missão da semana
Escolha uma coisa só, a torneira, o prato ou a tomada, e cuide dela todos os dias até o próximo domingo. Torneira: fechar enquanto escova os dentes. Prato: pôr só o que vai comer e não deixar sobra. Tomada: apagar a luz do seu quarto ao sair e tirar o carregador quando ele não estiver carregando nada. Conte a um adulto da sua casa qual foi a sua escolha e faça uma marquinha num papel, ou no celular, a cada dia em que cumprir. Sem fiscalizar ninguém da casa e sem post.
A missão é cuidar do que está na sua mão. Não mexa em fiação, registro de água ou aparelho que não é seu; se vir algo quebrado ou vazando, avise um adulto.
Por quê
Deus pôs o homem no jardim "para o lavrar e o guardar" (Gn 2.15). A água, o alimento e a energia que passam pela sua mão têm Dono, e o Dono pede uma coisa de quem cuida do que é dEle: "requer-se dos mordomos que cada um se ache fiel" (1 Co 4.2). Usar não é destruir.
Como saber que você fez
No domingo, você tem as marquinhas dos dias em que cuidou da sua escolha e sabe dizer em qual dia foi mais difícil.
Domingo, volte com a história
A aula que vem começa com quem quiser contar como foi cuidar de uma coisa só a semana inteira. Domingo, volte com a história.

















