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Pré-Adolescentes

Lição 7 · 4º Trimestre

Fuja das Tentações!

Sobre esta Lição

Ninguém cai de uma vez. A pessoa vai chegando perto, um pouquinho mais perto, vai ficando, vai achando que aguenta — e, quando percebe, não aguenta mais. É como o "só mais uma colherada" do brigadeiro na geladeira: quando você vê, a panela acabou.

Você está entrando na adolescência. É uma fase boa, cheia de descobertas: o corpo muda, a cabeça muda, as emoções mudam, aparece vontade de viver coisas novas. Nada disso é errado. Mas é também a fase em que chegam convites novos — alguns bons, outros perigosos. E é sobre os perigosos que a gente vai conversar hoje.

A lição tem uma instrução que é o contrário do que muita gente fala. O mundo diz: "seja forte, aguenta, prova que você consegue". A Bíblia diz outra coisa: corre.

A leitura bíblica começa com um aviso de pai para filho: "O discernimento te guardará e a inteligência te conservará; para te afastar do mau caminho, e do homem que fala coisas perversas" (Pv 2.11,12). E termina com um retrato do sábio e do tolo: "O sábio teme, e desvia-se do mal, mas o tolo se encoleriza, e dá-se por seguro" (Pv 14.16). Repare no verbo do sábio: desvia-se. Não é encarar. Não é provar que aguenta. É mudar de caminho. E repare no erro do tolo: ele "dá-se por seguro". O tolo não é quem cai — é quem acha que nunca vai cair.

Antes de começar, uma pergunta para responder por dentro, sem falar em voz alta: qual foi a última vez que você chegou perto de alguma coisa achando que ia conseguir parar na hora certa?

Segure a frase que vai voltar a aula inteira: resistir de verdade é sair de perto.

I — Rejeitando os Convites Errados

A tentação não vem de Deus

Muita gente, quando erra, diz: "Foi Deus que me provou". A Bíblia corta essa conversa logo de cara: "Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta" (Tg 1.13).

Aqui tem duas palavras que quase todo mundo confunde: prova e tentação.

  • Deus prova para fortalecer. A prova é como o treino do atleta: dói, mas deixa mais firme. José foi vendido pelos próprios irmãos e passou anos longe de casa — e saiu disso com o caráter mais forte. "Bem-aventurado o homem que suporta a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida" (Tg 1.12a).
  • A tentação quer derrubar. Ela é um convite para fazer o que desagrada a Deus. E quem quer ver você caído não é Deus.

Então de onde vem a tentação? O diabo tenta, e tenta de verdade (Mt 4.1). Mas Tiago mostra por onde ele entra: "Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência" (Tg 1.14). Concupiscência é o desejo errado que mora dentro da gente. Jesus disse a mesma coisa: "Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos" (Mc 7.21a). O diabo oferece, mas ele usa um desejo que já encontrou lá dentro.

אב No original — grego. As duas palavras de Tiago 1.14 vêm da pescaria. "Atraído" descreve algo sendo puxado para fora, como o peixe tirado do esconderijo. "Engodado" vem de uma palavra ligada à isca. O peixe não é obrigado a morder: ele é atraído por algo que parece comida, e o anzol vem junto. E o pescador não joga qualquer isca — joga a que aquele peixe come. Por isso a tentação de cada um é diferente: o que puxa você talvez nem chame a atenção do seu amigo.

E o versículo seguinte mostra o caminho inteiro, em três estágios: "Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte" (Tg 1.15). Desejo → pecado → consequência. Nenhum dos três é instantâneo. O pecado é "concebido", gerado, como um bebê que leva meses para nascer. Ninguém acorda no terceiro estágio. A pessoa entra no primeiro achando que só está olhando, só conversando, só "dando uma espiadinha".

A boa notícia está escondida aí: se cada estágio leva tempo, sempre dá tempo de parar no meio do caminho. E Deus mesmo garante a saída: "Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar" (1 Co 10.13).

Sentir a tentação não é pecar

Isso precisa ficar muito claro: ter tentação não é pecado. Jesus foi tentado, e a Bíblia diz que Ele "em tudo foi tentado, mas sem pecado" (Hb 4.15). Sentir o puxão não faz de você uma pessoa ruim. O que importa é o que você faz com ele: morder a isca ou sair de perto.

Fugindo das tentações

A revista lembra que, para a tentação, a Bíblia usa um verbo bem curto: fugir. "Fugi da fornicação" (1 Co 6.18). "Foge também das paixões da mocidade" (2 Tm 2.22a). Mas ela não para aí. Com o diabo, o verbo é outro: "Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós" (Tg 4.7).

Junte as duas coisas e você tem a ordem completa: resistir ao diabo e fugir do que alimenta o pecado. Quem resiste de verdade não é quem chega perto para mostrar que consegue. É quem sai de perto. Fugir não é covardia. É a estratégia de quem conhece o próprio coração e sabe que ele pode não aguentar.

Provérbios já dava esse conselho: "Não entres pela vereda dos ímpios, nem andes no caminho dos maus. Evita-o; não passes por ele; desvia-te dele e passa de largo" (Pv 4.14,15). Quatro ordens seguidas, e nenhuma é "vai lá e enfrenta".

José, a capa e a porta

A Bíblia tem um exemplo famoso de fuga. José era um jovem trabalhador na casa de Potifar, um oficial do Egito. A mulher do patrão começou a insistir para que ele pecasse com ela. José recusou e explicou por quê: "como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?" (Gn 39.9).

Ela insistiu de novo, e de novo, e de novo. E repare no que José fazia: "falando ela cada dia a José, e não lhe dando ele ouvidos" (Gn 39.10a). Ele não ficava nem perto dela. Muito antes do dia em que precisou correr, José já vinha evitando o lugar, a conversa e a companhia.

Um dia, ele entrou na casa para trabalhar, e não havia mais ninguém lá (Gn 39.11). "E ela lhe pegou pela sua roupa [...] E ele deixou a sua roupa na mão dela, e fugiu, e saiu para fora" (Gn 39.12). Ela ficou com a capa nas mãos, mentiu sobre ele, e José foi preso sem ter feito nada (Gn 39.20).

Duas coisas importantes sobre essa história:

  • José não teve culpa nenhuma do que aquela mulher fez. Ele estava no trabalho dele. Quem errou foi ela — a patroa, que tinha poder sobre ele, insistindo naquilo que ele já tinha recusado. A Bíblia não culpa José. Ela conta que ele fez o certo.
  • Fugir custou caro, mas Deus não desperdiçou nada. José foi parar na prisão. Mas a Bíblia diz: "O SENHOR, porém, estava com José, e estendeu sobre ele a sua benignidade" (Gn 39.21a). E aquela prisão fez parte do caminho que levou José ao palácio do Egito.

❤ Para a sua vida. Se um adulto — ou alguém mais velho, ou alguém que você só conhece pela internet — pede segredo, pede foto sua, tenta um toque que deixa você sem graça ou marca um encontro escondido, faça como José: saia de perto. E faça o que José não tinha como fazer: conte a um adulto de confiança no mesmo dia — pai, mãe, responsável, professor da EBD, pastor. Mesmo que você já tenha respondido. Mesmo que a pessoa tenha dito para não contar. Você não está encrencado por contar. Se não houver ninguém por perto, ligue para o Disque 100, de graça, a qualquer hora. Você não precisa enfrentar ninguém sozinho: o adulto resolve; você avisa.

Como é fugir hoje

Hoje, fugir quase nunca é sair correndo de uma casa. Fugir é:

  • fechar o aplicativo ou o site;
  • sair do grupo onde começaram a mandar coisa errada;
  • não abrir aquela conversa;
  • sair da roda quando começam a falar mal de um colega;
  • não entrar no combinado de colar na prova;
  • dizer "não vou" — e não ficar explicando demais.

E fugir tem preço. Você pode ficar de fora de uma piada, perder um convite, parecer o "estranho" da turma. José pagou com a liberdade. O seu preço provavelmente vai ser bem menor.

Só não confunda fugir com se esconder do mundo. Fugir não é se trancar no quarto e nunca mais falar com ninguém. É reconhecer que existem lugares e situações onde você não deve estar — e sair deles, de preferência antes de chegar perto.

❤ Para o coração. E se você viu, sem querer, uma imagem ou um vídeo impróprio no celular? Ou alguém mostrou para você? Você não é culpado por isso. Feche na hora, saia de perto e conte a um adulto de confiança no mesmo dia. Não fique guardando sozinho — o segredo pesa mais do que a conversa.

A consequência do pecado

O fim do caminho da tentação é sério. Na leitura bíblica, Provérbios é um pai falando com o filho, e por isso o aviso fala de uma "mulher estranha" que lisonjeia com palavras e "se esquece da aliança do seu Deus" (Pv 2.16,17). O aviso vale para qualquer pessoa, grupo ou convite que puxe alguém para longe de Deus. E o pai diz aonde esse caminho leva: "Todos os que se dirigem a ela não voltarão e não atinarão com as veredas da vida" (Pv 2.19). E Paulo resume: "Porque o salário do pecado é a morte" (Rm 6.23a). A revista explica que essa morte é espiritual: o pecado afasta a pessoa de Deus.

Mas o mesmo versículo não termina aí: "mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 6.23b). Dom gratuito é presente. Ninguém compra. Deus oferece a todo aquele que se entrega a Cristo. Dizer "não" ao convite errado é dizer "sim" a Jesus.

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