Pular para o conteúdo
Voltar

Jovens

Lição 7 · 4º Trimestre

O Alvo Supremo: Conhecer a Cristo

Sobre esta Lição

O homem que escreveu "prossigo" estava preso. Não escreveu numa fase boa, com a agenda cheia de convites e a vida resolvida. Escreveu acorrentado, sem saber se sairia vivo, para uma igreja que pagava caro por seguir Jesus numa cidade orgulhosa de ser Roma em miniatura. E o mesmo homem que tinha o melhor currículo religioso da sua geração escreveu, no mesmo capítulo, que ainda não tinha chegado.

Antes de abrir o texto, responda em silêncio, só para você: existe alguma coisa que você fez — ou que fizeram com você — que você ainda carrega e que mudou o jeito como você se vê?

Guarde a resposta. Esta lição fala com ela. A leitura em classe é Filipenses 3.12-17 e 3.20,21, e a revista segue três passos: o que é conhecer plenamente a Cristo; a atitude do corredor — "uma coisa faço" — e o que fica para trás; e o jeito de viver o presente enquanto se espera o futuro. Na lição anterior, Paulo jogou o próprio currículo na coluna da perda para ganhar a Cristo. Agora ele calça o tênis. E logo de saída é bom dizer o que esta lição não é: não é palestra de motivação, não é cultura de desempenho com versículo, não é "seja um Paulo determinado". É sobre uma corrida que não se ganha por velocidade, e sim por não parar — e sobre um alvo que não é uma conquista, mas uma Pessoa.

I — Conhecendo Plenamente a Cristo

Paulo acabou de dizer o que mais deseja: "Para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte; Para ver se de alguma maneira eu possa chegar à ressurreição dentre os mortos." (Fp 3.10,11). Repare no verbo: conhecer. Existe uma diferença enorme entre saber acerca de Cristo e conhecer a Cristo. Saber acerca é informação: onde Ele nasceu, quantos discípulos teve, o que pregou. Dá para acertar tudo num quiz sem nunca ter conversado com Ele — como quem decorou a biografia de um autor que nunca encontrou. Conhecer é convivência: saber o que O alegra, o que O entristece, como Ele reage quando você erra.

A revista traz uma frase de Myer Pearlman que resume bem: "Há uma grande diferença entre realmente conhecer a Cristo e meramente saber acerca dEle. Assim como se sabe o gosto da comida ao comê-la, assim também conhecemos a Cristo ao recebê-lo." É por isso que a Bíblia gosta tanto do verbo andar: andar com Deus, andar no Espírito, andar "em novidade de vida" (Rm 6.4). Conhecer a Cristo não é um evento; é um relacionamento diário. E é possível crescer na igreja, servir, ensinar e até montar uma teologia inteira continuando só a saber acerca dEle. Jesus resumiu a vida eterna justamente nesse verbo: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (Jo 17.3).

E Paulo pede as duas coisas juntas: o poder da ressurreição e a comunicação das aflições. Quase todo mundo ora pelo primeiro; quase ninguém pelo segundo. Mas quem quer conhecer alguém de verdade não escolhe só a parte boa. Você conhece um amigo de um jeito completamente diferente depois de atravessar um sofrimento com ele. Isso não é gosto pelo sofrimento nem desejo de martírio. É saber que a cruz faz parte do caminho de quem segue o Crucificado — e que o mesmo poder que tirou Jesus do túmulo sustenta quem anda com Ele, pelo Espírito que habita no crente (Rm 8.11).

"Não que já a tenha alcançado"

Agora vem a frase que quase todo mundo lê errado: "Não que já a tenha alcançado, ou que já seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus." (Fp 3.12). Paulo não está se dizendo fraco, despreparado ou frustrado. Pense em quem fala: ele viu o Cristo ressurreto no caminho de Damasco, plantou igrejas, escreveu cartas que você lê até hoje. E mesmo assim diz que não chegou.

A revista explica que Paulo tem em vista o conhecimento completo de Cristo e as realidades que só se cumprirão no futuro, o alvo de Fp 3.10,11. Diante disso, ele ainda está em estado de imperfeição — e, com ele, todos nós. Esse reconhecimento era o oposto do que faziam os judaizantes, que se achavam completos. As melhores pessoas reconhecem a própria imperfeição no estado presente. E aqui vai um teste simples para a vida espiritual: quem tem a verdadeira graça deseja mais graça. Quem acha que já tem o suficiente provavelmente parou de comer há algum tempo — porque quem para de ter fome, em geral, já parou de se alimentar.

Do mais novo ao mais velho, do mais forte ao mais fraco, estamos todos na mesma pista. Isso tira de nós duas coisas de uma vez: o orgulho de quem se acha à frente e o desprezo por quem parece atrás.

🕊 A nossa leitura — "perfeito" e "ainda não perfeito". Três versículos depois, Paulo escreve: "Por isso todos quantos já somos perfeitos, sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa de outra maneira, também Deus vo-lo revelará." (Fp 3.15). Ele não se contradiz. No versículo 12, "perfeito" é a linha de chegada, que ninguém cruza antes da ressurreição. No versículo 15, a palavra grega teleios descreve o crente maduro — e a marca dessa maturidade é exatamente saber que ainda não chegou e continuar correndo. A tradição wesleyana, da qual o movimento pentecostal é herdeiro, chamou isso de perfeição cristã: não um crente que não erra mais, mas um coração inteiro no amor. "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento." (Mt 22.37) — e "Amarás o teu próximo como a ti mesmo." (Mt 22.39). Isso não tem nada a ver com perfeccionismo, a cobrança ansiosa de nunca falhar. O perfeccionista vive com medo; o amor maduro vive em paz: "No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor" (1 Jo 4.18).

"Prossigo"

Paulo conclui que esse futuro pertence aos que prosseguem. Como ainda não chegou, ele avança com todas as forças em direção à sua apreensão final de Cristo — um desfecho perfeito para quem tinha escrito: "Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho." (Fp 1.21).

Mas repare na segunda metade do versículo 12, que é a mais bonita: ele prossegue para alcançar "aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus". Cristo o encontrou primeiro. Paulo não corre para ser aceito; corre porque já foi alcançado, chamado e capacitado. "Nós o amamos porque ele nos amou primeiro." (1 Jo 4.19). Essa verdade tira o peso, mas não tira a responsabilidade. A graça chega antes e capacita; o crente responde, coopera e corre. Paulo diz o mesmo em outro lugar: "Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo." (1 Co 15.10).

אב No original — grego. No versículo 12, "alcançar" e "fui preso" vêm do mesmo verbo, katalambanō: agarrar, pegar com a mão, como o perseguidor que finalmente alcança quem ele persegue. Paulo faz um jogo de palavras: "corro para agarrar aquilo para o qual eu fui agarrado". Na estrada de Damasco, o perseguidor foi alcançado por Cristo. A corrida dele, desde então, é a resposta a esse encontro.

A revista traz aqui uma frase dura e necessária: Deus pode usar quem falha, mas não usa quem desiste. E logo explica que há gente que para no meio do caminho por causa dos próprios pecados, "por querer ser mais justa que Deus", e gente que para porque se sente sem forças. Os dois estão sentados na igreja. O primeiro se olha, se acha indigno e desiste — parece humildade, mas é o contrário: é colocar o próprio julgamento acima da sentença de Deus. Se Deus perdoou e a pessoa não aceita o perdão, o critério dela passou a valer mais que o dEle. "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça." (1 Jo 1.9). O segundo não é rebelde; está cansado. Desânimo, culpa, sensação de rejeição e de inferioridade são muito comuns na nossa geração. Para esse, a palavra que a revista lembra é de consolo: "Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão." (Is 40.31).

E a boa notícia completa a frase da revista: Deus não usa quem desiste, mas vai atrás de quem desistiu. Elias pediu para morrer debaixo de um zimbro: "Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida" (1 Rs 19.4) — e Deus lhe deu pão, descanso e uma nova missão. João Marcos abandonou a viagem missionária no meio (At 13.13), e anos depois Paulo escreveu: "Toma Marcos, e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério." (2 Tm 4.11). Pedro negou Jesus três vezes; "E, saindo Pedro para fora, chorou amargamente." (Lc 22.62). Depois voltou a pescar (Jo 21.3) — e o Ressuscitado foi até a praia procurá-lo e o restaurou com três perguntas: "Simão, filho de Jonas, amas-me?" (Jo 21.17).

🕊 A nossa leitura — Pedro e Judas. Os dois andaram com Jesus, viram as mesmas maravilhas e falharam na mesma noite. A diferença entre eles não foi o tamanho da falha; foi o que fizeram depois. Pedro chorou, voltou e se deixou restaurar. Judas não voltou. A Bíblia leva a sério o risco de alguém abandonar a corrida — "nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim" (Hb 3.14) —, e por isso Paulo diz "prossigo" e não "já cheguei". Mas isso não é convite ao medo. Ninguém é eliminado da corrida cristã por chegar devagar ou por tropeçar. Sair da pista é uma decisão — e quase sempre é uma decisão lenta: ninguém sai de uma vez; a pessoa vai diminuindo o passo até parar. Quem tropeçou, levanta. A restauração está aberta, e quem permanece em Cristo descansa naquele "que é poderoso para vos guardar de tropeçar" (Jd 24).

"Não julgo que o haja alcançado"

Nos versículos 13 e 14, Paulo repete a ideia. Não é distração; é ênfase: "Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado". E aqui a revista aponta o terceiro grupo que para de correr — o mais difícil de ajudar: quem acha que já chegou. Essa pessoa não se sente mal pelos seus pecados nem pela sua frieza. Sente-se resolvida. Costuma saber muito e ser crente há muito tempo. E, justamente por isso, abandona as disciplinas da vida cristã: para de orar, para de ler a Palavra, para de jejuar, para de se consagrar. Quem já chegou não precisa mais correr.

Um bom atleta não abandona a corrida antes de completá-la. Paulo, depois de tudo o que viveu, continuava fazendo coro ao profeta: "Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor" (Os 6.3). A pergunta, então, é para nós: será que nos acostumamos com a presença de Deus? Você ainda tem fome de oração e de Palavra, ou acha que já sabe o suficiente?

🏛 Curiosidade — para onde o corredor olhava. Nos jogos da Grécia antiga, havia no fim da pista um juiz que entregava o prêmio ao vencedor. O corredor não olhava para o chão, nem para os lados, nem para trás: olhar para trás era perder a passada, e perder a passada era perder a corrida. E o prêmio era uma coroa de folhas, que secava em poucos dias. Por isso Paulo escreve aos coríntios: "E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível." (1 Co 9.25). A nossa coroa não seca — e quem a entrega é o próprio Senhor.

Continuar lendo o estudo completo

Jovens

4º Trimestre