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Juvenis

Lição 7 · 4º Trimestre

O Espírito Santo Atuando no Crente

Sobre esta Lição

Existe uma solidão que não tem nada a ver com estar sozinho. É estar no meio de gente, numa festa, no intervalo, no grupo de conversa, e ser o único ali que precisa decidir diferente. Todo mundo vai, você não vai. Todo mundo ri, você não ri. Essa solidão não melhora com mais gente em volta; piora. E foi para gente nessa situação que Jesus disse uma das frases mais consoladoras da Bíblia: "Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós" (Jo 14.18).

Repare onde essa frase foi dita. Jesus está no cenáculo, na última noite, e sabe que em poucas horas vai ser preso. Ninguém gasta as últimas horas com assunto secundário. O que está em João 14 é o que Ele considerou essencial. E a lição de hoje responde a uma pergunta prática: o que exatamente o Espírito Santo faz na vida de quem crê, hoje, num dia comum?

A leitura em classe é João 14.16-20,26-31. O texto áureo é de Paulo, numa carta a uma igreja: "E não vos embriagueis com vinho, em que há dissolução, mas enchei-vos do Espírito" (Ef 5.18). A primeira passagem é uma promessa; a segunda, uma ordem. Jesus promete que o Espírito vem para ficar. Paulo diz o que fazer com isso: deixar-se encher dEle, todo dia.

O caminho tem três passos, na ordem da revista: quem é esse Consolador prometido, os dois aspectos da atuação dEle no crente (na salvação e no revestimento de poder) e o que Ele faz no pecador e no cristão. Uma frase vai voltar até o fim: você não foi deixado sozinho na decisão.

I — Ele é o Consolador prometido

Olhe a sequência de João 14. Primeiro, Jesus manda não se preocuparem: "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim" (Jo 14.1). Depois, fala das moradas na casa do Pai (Jo 14.2). Depois, autoriza pedirem em nome dEle: "E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho" (Jo 14.13). E por último vem a maior de todas: "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre" (Jo 14.16).

Não é um consolo qualquer, nem uma lembrança para guardar na gaveta. É outro Consolador. E repare no tempo do verbo: o Pai "vos dará". Não é talvez, não é possibilidade. É promessa com data, e a data chegou no Pentecostes. Joel já tinha anunciado: "derramarei o meu Espírito sobre toda a carne" (Jl 2.28). E Pedro, cheio do Espírito naquele dia, disse até onde a promessa ia: "Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar" (At 2.39). Vós, filhos, os que estão longe. Você está nessa lista.

אב No original — grego. "Consolador" traduz paráklētos, formado de pará ("ao lado") e de um verbo que quer dizer "chamar". Ao pé da letra: alguém chamado para ficar ao lado. A palavra descreve uma posição, não um sentimento: ao lado, não em cima, não à distância. E o "outro" de João 14.16 é állos, palavra que costuma indicar outro do mesmo tipo. Jesus não promete uma coisa diferente dEle; promete Alguém como Ele.

O Espírito de verdade vem para fazer pelos discípulos o que Jesus fazia enquanto estava com eles. A revista lista quatro coisas, e todas continuam valendo hoje.

Ajudar. Lembra de Pedro afundando no mar? "E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o" (Mt 14.31). O Espírito continua estendendo a mão. Mas ajudar não é fazer no seu lugar; é estar junto enquanto você faz. Isso muda a expectativa. Quem espera que Ele resolva tudo por você vai achar que Ele falhou toda vez que a coisa der trabalho. Se você orou e a prova continuou difícil, isso não quer dizer que Ele não estava lá.

Dar a direção certa. E o texto diz como: "esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito" (Jo 14.26). Voltaremos a esse versículo no fim da lição, porque ele é o coração do assunto.

Consolar nos momentos difíceis. "Não vos deixarei órfãos" (Jo 14.18). Órfão é quem perdeu quem cuidava. Jesus usa essa palavra de propósito, porque era assim que aqueles homens iam se sentir dali a algumas horas. Eles não iam ficar sem instrução; iam ficar sem presença. E repare: Jesus não diz "não se sintam órfãos". Ele diz que não vai deixar órfãos. A diferença é entre controlar o sentimento e mudar o fato.

Interceder em oração. "E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis" (Rm 8.26). Tem hora que você não sabe nem o que pedir, e isso não é defeito seu: está previsto no texto. A sua oração atrapalhada, curta, cheia de silêncio, não chega ao Pai sozinha.

🔬 A nossa leitura — o Filho pede, o Pai dá, o Espírito é outro. João 14.16 é uma das frases mais claras da Bíblia contra o unicismo, a doutrina que ensina que Pai, Filho e Espírito Santo são uma só Pessoa que aparece de três modos. Leia devagar: o Filho roga, o Pai dá, e o Espírito é "outro Consolador". Uma pessoa só não roga a si mesma nem promete a si mesma como "outro". Por isso as comparações da água que vira gelo e vapor, ou do homem que é pai, filho e marido, não servem: as duas descrevem uma coisa só mudando de forma ou de papel, que é exatamente o unicismo. A Bíblia mostra três Pessoas que se relacionam e um só Deus. Nenhuma comparação tirada da criação dá conta do Criador.

E tudo isso fecha com o "para sempre". No Antigo Testamento, o Espírito vinha sobre pessoas escolhidas, para tarefas específicas, e podia se retirar. Davi tinha visto isso acontecer com Saul: "E o Espírito do Senhor se retirou de Saul" (1 Sm 16.14). Por isso orou: "não retires de mim o teu Espírito Santo" (Sl 51.11). Com a promessa de Jesus, muda o jeito: da parte de Deus, o Espírito vem para ficar, não para uma visita. Da nossa parte, a Bíblia continua pedindo cuidado: "E não entristeçais o Espírito Santo de Deus" (Ef 4.30). Ele é Pessoa, e relação com pessoa se cuida.

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